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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Entrevista: Barizon

Barizon é uma banda novíssima da capital, formada por cinco amigos já conhecidos na cena underground carioca. Começou de forma despretensiosa, mas acabou evoluindo para um trabalho consistente que até o momento resultou num álbum full length e muito provavelmente diversos outros no futuro.
No meio da grande mistura sonora que vai do heavy metal tradicional ao grunge, o stoner se sobressai.
Confiram abaixo a entrevista!


Então, como se reuniram os "guerreiros da noite", para formar essa banda?
Vocês mencionam como infuências as bandas Pantera, Anthrax, Down, Alice in Chains, Red Fang e Mastodon.
Resposta (Marcelo): Tudo começou no fim de 2011, inicialmente comigo (Marcelo), Gabriel "Bil" Zander e Alexandre Barbosa, no Estúdio Superfuzz (de propriedade do Bil). Eu no baixo e eles nas guitarras. Foi sem pretensão nenhuma, era só um encontro pra tocar alguns covers de metal que sempre gostamos mas nunca havíamos tocado, devido a nossas bandas (Plastic Fire, Zander, StripClub) serem autorais e voltadas ao hardcore/punk rock/alternativo. Começamos com Metallica e Pantera. Mas foi em 2012 que a banda tomou forma, quando Bil convidou seu amigo de infância e ex-parceiro de Noção de Nada (banda que formaram nos anos 90), o guitarrista Eduardo Sodré (Nipshot), vulgo "Palhaço". Sendo assim, Barbosa passa para o vocal (função que já desempenhava muito bem no StripClub) e Felipe, meu parceiro de Plastic Fire, naturalmente ocupa o posto de baterista. Nâo imaginávamos que tomaria a forma que tomou.

Como se dá essa mistura?
Me chamou muito a atenção a forma inusitada com que o álbum inicia, parece que a música está no meio.
Resposta (Marcelo): Além dessas bandas já citadas, também tocávamos Motorhead, Black Sabbath e AC/DC... mas a influência não se resumia somente à essas bandas mais conhecidas. Piramos muito em stoner/sludge/doom metal. Talvez seja essa a diferença, aliado ao thrash metal, que ajudou a moldar nosso som. Outras bandas, relativamente novas, como Hellacopters, Airbourne e Turbonegro também podem entrar nessa mistura aí. Mas acredito que o fator principal seja mesmo a influência particular de cada um e a liberdade que tivemos para criar, que resultou num processo muito aberto, democrático, sem egocentrismo, sem 'liderança'. Não fixamos nenhum padrão a seguir na hora de compor e todos participaram efetivamente de todo o processo, que no final agradou em 100% todos nós. Creio que o Mastodon seja um grande exemplo, não só como influência, mas como uma banda difícil de se classificar em um estilo só.
(Barbosa): Gostamos da idéia de começar com a pressão da banda inteira tocando junta. E essa introdução me soa como uma pregação, um anúncio, tanto pela letra quanto quanto pelo vocal. Na hora que gravamos, já imaginei como sendo uma boa abertura pro disco.

Isso tem a ver com o que foi escrito no release de vocês, sobre o cenário de caos, onde "selvagens armados de riffs explosivos ditam o ritmo do que parece ser uma guerra nas ruas, onde o único objetivo é manter-se vivo"?
Resposta (Marcelo): (Risos) Na verdade isso é uma versão "épica" do nosso release feita pelo amigo Cyro Sampaio (menores atos, Incendiall) que acompanha a banda desde o início. É uma piada interna que sempre fizemos nos ensaios, principalmente no início quando só tocávamos cover e os ensaios eram regados a muita cerveja e quase sempre tinha algum/alguns amigo(s) por lá, era quase como um show. Brincávamos com clichês do metal, imaginávamos tocando em grandes festivais, essas coisas. Além de sermos fãs do filme The Warriors (Guerreiros da Noite) e sua versão dublada à la Sessão da Tarde. Tanto é que na música "Streets of Rage" colocamos trechos do filme no meio da música.



Outra coisa inusitada foi disponibilizar as faixas do álbum integralmente na Internet antes de lançar o álbum físico. Por que essa decisão?
Resposta (Marcelo): Simplesmente pela demora em sair o disco físico e por termos finalizado tudo ainda em 2013. Tanto é que os primeiros singles, "Summertime" e "Streets of Rage", foram lançados a partir de setembro. Nessa época assinamos com a Monstro Discos e iniciamos as conversas sobre o lançamento. Mas como todos sabem, fim de ano o Brasil não funciona, muito menos pra lançar CD. Resolvemos fazer com calma. Nós mesmo nos damos "férias", a Monstro entrou em um pequeno recesso...
No fim de janeiro o disco foi pra fábrica. Já cientes da demora pra chegar, resolvemos acabar logo com a ansiedade do público - e nossa também - e fizemos uma parceria com o site Tenho Mais Discos Que Amigos para lançar um novo single e logo em seguida o disco todo. Já estávamos em negociações para o show de lançamento, então era importante o público ouvir o disco com antecedência. Ainda mais tendo em vista que hoje em dia não se vende mais cd como antes. O importante era a galera conhecer o som.

Conte-me sobre a gravação, feita durante o Carnaval e sobre o lançamento do álbum físico.
Resposta (Marcelo): A gravação foi toda feita no Estúdio Superfuzz, o QG ofical da banda, no Humaitá. Teve inicio no carnaval de 2013. Enquanto rolava a festa da carne, lá estava Felipe gravando a bateria, cujo técnico foi Pedro Garcia (baterista do Planet Hemp e produtor do estúdio Canto dos Trilhos em Santa Teresa). Logo após vieram as guitarras e o baixo. A fase inicial de gravação também contou com a assistência dos paulistas Dan Souza e Fernando Uehara (ambos do Bullet Bane e TOTH Estúdio/SP). Outra pessoa importante foi Fellipe Mesquita, o assistente que participou de todo o processo de gravação.
Foram ótimos momentos, sempre tranquilos e com muita entrega de todos. Nesse processo, algumas músicas tomaram novas e fundamentais formas, principalmente na bateria e no vocal. A produção ficou por conta da própria banda.

Conte-me sobre os seus shows recentes.
Resposta (Marcelo): No caso, foi só um show até agora. O de lançamento oficial do disco e nosso primeiro na cidade. Ocorreu no Saloon 79 em Botafogo e fez parte da "Evil Nights#1", novo projeto da Abraxas Produtora em parceria com o Superfuzz que vai rolar uma vez por mês às quartas-feiras. Contou também com o Son of a Witch, de Natal (RN), excelente banda de stoner. No geral, foi muito bom. Estávamos louco pra tocar logo, e o público respondeu muito bem. Que venham outros mais!

Vocês vão escolher alguma das músicas desse primeiro álbum para um clipe?
Resposta (Marcelo): Perfeitamente. Adianto em primeira mão aqui no blog que já está em fase final de produção o clipe de "Entertainment", primeira música do álbum. Será todo em animação. Em breve divulgaremos a data do lançamento.



Links:
facebook.com/barizonofficial
barizon.bandcamp.com
e-mail: contactbarizon@gmail.com

Open way for the night warriors!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Monstractor - perfil da banda e entrevista exclusiva


Monstractor é uma banda nova, formada no início de 2012. Da cidade de Resende, na região do Médio Paraíba. Nessa região onde se encontram as Agulhas Negras, há milhões de anos atrás, a atividade vulcânica era intensa, ou seja, tinha lava pra todo lado. Pra completar, Resende fica perto de Volta Redonda, cidade do aço. Afinal, esse é ou não um lugar bom pra sair banda de metal?
Os integrantes da Monstractor são os seguintes: Christian Klein (Vocal e baixo – Ex- Expantor, Ex-Beerseeker), Diego Monsterman  (Guitarra e solos), Mark Tractor (Guitarra) e Demetrios Maia (Bateria – Ex-Beerseeker).
Escutei o som dos caras e posso dizer que ninguém escolhe o nome de Monstractor à toa. Fazendo jus às demolidoras atividades tectônicas da região de origem, eles são verdadeiras máquinas de moer, passado por cima de tudo que encontram.
Um som bem executado, o que é muito importante. Parece feito pra formar diversas rodas diante do palco e fazer a casa tremer.
A programação visual da capa do álbum se encaixa como uma luva na proposta sonora da banda. Se os leitores gostam das ilustrações tanto quanto eu, podem confiar também na música.
As composições são voltadas pros estilos Thrash e Stoner Metal. Confesso que não consegui me ater muito às letras, mas os temas vão desde o caso ufológico do ET de varginha até o whisky, a vingança, as motos e os monstros.
Pelo que andei lendo, as gravações foram feitas de forma independente pela própria banda, à base de muita cerveja, Whisky e sem frescuras.
Quero saber como é isso, nada melhor que perguntar aos próprios integrantes.
Abaixo estão as respostas do Klein às perguntas que fiz.

E então, como foram essas gravações? O que foi feito em casa, ou no estúdio... Onde a cerveja e o whiskey ajudam  ou atrapalham? Rs!
A bebedeira é inerente à banda, se a gente se reúne a gente bebe, não importa a ocasião, e no caso das gravações, acaba que a gente se empolga e bebe um pouco mais..ehehehhe .Na verdade isso deixa a coisa toda mais despojada, sem tanta cobrança e o som flui de uma forma mais direta que o normal. Não tem muito o que explicar. O lance é ter um conhecimento de programas de gravação, ter um equipo decente de captação , saber tocar e ter composições e fígado pra isso.
Mais importante que o SONAR, SOUNDFORGE e etc...são as latas de cerveja e o velho Jack Daniel's.
Eu sou cursado em produção musical e o Diego (Monsterman) manja muito... É um ótimo produtor bêbado ahauhauha.... Ele é técnico de informática e também trabalha com produção musical, as músicas do Monstractor foram gravadas e produzidas por ele. Na boa, ele faz tudo sozinho, a gente só toca... e depois nas mixagens vamos acertando como a banda prefere deixar as coisas.
Tudo foi gravado na maioria das vezes de madrugada no meu estúdio de tattoo, sem frescura mesmo. AUTÊNTICO  e até com algumas visitas à “DONA GLICOSE” ao hospital.  Nosso Roadie e vocal do SIDEROSIS que o diga. Glorioso Seagal Metal! 


Considero o nome da banda uma escolha muito feliz: curto, impactante, e resume bem a proposta sonora de vocês. Como foi que ele surgiu?
Inicialmente seria TRACTOR, pq meu carro fazia barulho de trator por causa de um furo no escapamento, e aquilo virou piada...depois veio a idéia de fazermos uma banda que tivesse a intenção de atropelar os obstáculos e deixar uma impressão esmagadora no som, atropelar tudo que viesse pela frente, então juntamos a idéia do carro e do trator passando por cima de tudo, o que na verdade veio a calhar, pois a idéia inicial nossa era tocar um som voltado pro stoner metal texano, um lance meio que caipira mas ao mesmo tempo pesado. Trator combina com isso!!. Mas aí eu tive a idéia de mesclar o trator com algo de mais impacto.. e no caso, a alma dessa banda é o Monsterman e sua guitarra maldita, então fiz a junção dos nomes. MONSTRACTOR.

Me contem um pouco sobre a arte da capa, do logo...
Bom, essa é uma parte legal,  pois desde que surgiu o nome MONSTRACTOR, uma espécie de mascote também surgiu na minha mente, eu sou desenhista e tatauador, mas eu não queria uma visão única da coisa, eu tava procurando alguém que fosse capaz de colocar a minha idéia no papel... alguém com talento e que conseguisse captar a intenção da idéia sem minha interferência visual ou artística.
  Foi aí que rolou uma doidêra do destino, a poucos meses antes, eu havia descoberto a banda SAKRAH de SP, e fiquei fã dos caras...viciei na música "fight bar" e troquei idéia com o Maurício Bertoni (baixista) , acabamos ficando amigos pois ele também é tatuador e curte os mesmos sons, e mais adiante conheci  o Leandro Novo (vocal do SAKRAH).
  Porra, o cara além de um puta vocal, é artista gráfico foda, vi uns trampos dele no FACEBOOK e fiquei maluco... era o estilo que eu procurava. Quando eu vi os trampos dele, imediatamente perguntei se ele topava fazer essa capa, passei pra ele a idéia do que eu tinha pensado, um TRATOR MONSTRO, tratamos dos valores e o resto foi com ele, pois felizmente esse cara além de grande artista, é um cara fora de série, gente boníssima é de um talento bizarro, além de dispôr de uma atenção e paciência raras.
Pois bem... ele conseguiu captar a idéia exata do que eu queria e fez um trampo incrível, além de ter criado uns papéis de parede pra banda, os banners pro facebook, e ter dado um tapa na "logo" que eu havia desenhado e criado. (Recomendo fortemente o trabalho do Leandro pras bandas que quiserem contratar o trampo dele, no final deixo o contato.).
Por fim....o legal é que a partir daí também estamos trampando pra que as duas bandas se encontrem em breve num evento aqui na região e outros por aí à fora. Um Salve aos caras do SAKRAH! Banda do caralho!

Como vocês me mandaram também a entrevista que concederam à Overmetal em 21 de fevereiro de 2013 e disseram que eu podia aproveitar algo de lá, resolvi destacar uma das perguntas (muito legal, por sinal) por dois motivos: tem um trecho que acho importante, se considerarmos a segurança das pessoas envolvidas em shows (já basta aquela tragédia que aconteceu em Santa Maria por causa de fogos; nesse outro post aqui falei sobre isso e sobre rede elétrica, confira), e o restante da resposta é especialmente interessante pra quem tem banda ou quer formar uma... Aí vai: Você fez parte das extintas Expantor e Beerseeker - toda experiência proporciona lições - enfim no mínimo já sabe qual o caminho não trilhar mais - quais as lições aprendidas?
 Recentemente aprendi uma boa, aterramento do equipo no palco. Tomei um choque que poderia ter me matado há pouco menos de um mês, e estou me tratando pra me recuperar. Ou seja.. uma boa lição é verificar isso e proteger a integridade física da banda em shows underground.
As bandas anteriores me ensinaram várias coisas, mas vou citar as 5 principais:  1- Banda só dá certo se todos pensam igual e tem o mesmo objetivo, talento e carisma.  2- Banda é trabalho, não é hobby. É preciso ter humildade, mas também não deixar desmerecerem seu trabalho.  3- Não adianta querer mostrar algo que você não é, a coisa toda tem de ser autêntica.  4- Não confiar em todas as pessoas que se aproximam com a proposta de ajudar, existem muitos lobos em pele de cordeiro, produtores falsos, gente aproveitadora que se faz e explora o trabalho alheio.  5- Não adianta montar banda com desconhecidos... todos devem ser amigos, pois se tornam uma segunda família (ou até 1ª).

Influências:
Black label Society, Slayer, Sepultura, Pantera, Down, Alabama Thunderpussy, Spiritual Beggars, Chromme division, Claustrofobia, Exodus, Metallica, Megadeth


Pra conhecer mais da banda:
http://tramavirtual.uol.com.br/monstractor
http://www.youtube.com/user/Monstractor

Pra conhecer o trabalho do Leandro Novo, que fez a arte pra banda:
http://www.facebook.com/leandro.novo.52?fref=ts

Pra conferir a entrevista à Overmetal:
http://overmetalezine.blogspot.com.br/2013/02/monstractor-ao-monstro-ao-trator-e-ao.html
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