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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Entrevista Quality Music Web Radio

Vanderley Carvalho Rocha é de Volta Redonda, já editou diversos fanzines, trabalhou em rádios FM com programas de rock e metal e agora mantém a Quality Music Web Radio - http://qualitymusicwebradio.blogspot.com/ - http://www.facebook.com/QualityMusicWebRadio, criada para divulgar música de bandas com um trabalho sério e que realmente mereçam um espaço na mídia. Apaixonado pelo som e pelo que é novo, ele respondeu algumas perguntinhas sobre esse projeto e a cena local do metal independente.




Como surgiu a idéia de montar a Web Radio?
Já realizei programas de heavy metal em rádios FM, fui convidado há pouco tempo para fazer parte de uma web radio. Com o fim dela, surgiu a possibilidade e vontade de criar uma outra web radio, com músicas de qualidade como costumamos chamar, ou seja, bandas que trabalham seriamente e mereçam espaço, visto que também já editei fanzines por longos anos. Foi fácil estruturar a radio, o importante é ter determinação e a mente aberta. De posse dessa idéia e determinação, foi criada a parceria entre eu (Vanderley) e o meu amigo John Paul, que também fez parte de uma rádio FM e uma web radio (ambas extintas e onde estivemos juntos com programas).

Scatha - Rio de Janeiro, uma das bandas que está na programação da rádio.

Como ela funciona? A programação, seleção de músicas... De onde elas vêm?
A Quality Music capta material das bandas nacionais principalmente, para fortalecer a divulgação e conhecimento da cena heavy nacional, mostrar aos bangers novos trabalhos, assim como a qualidade da cena metálica nacional. É preciso mostrar a quem curte heavy metal, que é vital apreciar o novo, visto que muito em breve, muitos dos chamados "dinossauros do rock/heavy" já estarão extintos.
A programação procura mostrar as novidades sem esquecer do que é clássico no heavy metal. Há sempre uma inclusão de músicas ainda não conhecidas pelo grande público, assim como são realizados especiais dando destaque ao que julgar-se necessário. A programação normal acontece por 24 horas, com programas mais especificos ao vivo. Uma meta da radio é tentar diferenciar músicas, mostrar os chamados rótulos do heavy metal, procurando dar a quem ouvir a rádio a possibilidade de determinar seu caminho, seu gosto musical democraticamente.
As músicas vêm através do contato com bandas, normalmente material indicado por elas próprias. E também vem da aquisição dos CDs, EPs, Demos dessas mesmas bandas, visto que julgo muito importante apoiá-las de fato. A radio inclui as músicas em sua programação diária imediatamente e procura divulgar as páginas das bandas, para que o ouvinte possa por ele mesmo conhecer um pouco mais do trabalho que lhe chamar a atenção.

Stodgy - Barra do Piraí, também na programação da rádio.

Durante todo o tempo que escutei a radio, não ouvi propagandas. Como se torna possível sua manutenção?
Após estruturar o funcionamento da rádio (o local, a captação de material e divulgação,..), buscamos essas parcerias para aprimorar os recursos de funcionamento. Uma rádio que capte recursos pode ajudar melhor as bandas envolvidas, assim como oferecer mais aos ouvintes. Começamos algumas delas, como essa com o Blog Rio de Metal - http://riodemetal.blogspot.com.br/ e a Sunset Metal Press - http://sunsetmetalpress.com/. Comercialmente falando, a rádio agora vai em busca de propagandas de entidades ligadas ao tipo de som que nos envolvemos. Essa busca não foi feita antes por mantermos essa paixão pelo que fazemos. A captação de recursos hoje vem apenas da venda das camisas da rádio.

Brave - Itú, SP - também tem suas músicas na QMWR.

Como você tem percebido o movimento do cenário de musica independente, nos dias atuais? Fale sobre o impacto disso na programação da radio.
Uma outra parceria da rádio se dá com alguns produtores, onde a rádio entra com sua divulgação, com seu apoio total aos seus eventos, tentando favorecer assim as bandas, ao público e aos produtores que enfrentam as diversas dificuldades para sua realização. Com essa união, foi possível notar a cena independente se movimentando de uma forma séria, apaixonada e querendo levar ao público algo melhor, mais profissional. Muitas bandas ao procurarem a rádio, falam dessa disposição (e necessidade) de se apresentarem ao vivo em outros estados.
E o público tem se surpreendido com as novas bandas nacionais, elas estão chamando a atenção de quem escuta. Muitos ficam surpresos (e não entendo o porque), quando se diz que é uma banda nacional que acabou de tocar. Elas estão de fato tomando o gosto e apoio do público, mas necessita também da sua presença em eventos, da aquisição de seus CDs, EPs, Demos...

Innocence Lost - Rio de Janeiro, na Quality Music Web Radio.

E shows? Como você percebe a movimentação das bandas na sua região? De que forma isso influencia a rádio?
Em relação aos shows, tem acontecido mais, ao meu ver. Os produtores têm apresentado novidades, incluindo atrativos que aumentem o público. Infelizmente ainda há muita pilantragem e amadorismo na organização dos shows. Sugiro que as bandas ajam de forma mais profissional quando contactadas para tocarem.
Independente disso, os shows estão aí e vejo a participação de quem apóia como algo vital para eles se perpetuarem e melhorarem. Os maiores problemas que são espaço e estrutura (som, divulgação, aparelhagem...) têm sido alvo de melhora. As bandas dão o melhor de si e pela qualidade, têm agradado, levando assim mais pessoas a comparecerem.
Certamente isso ainda é pouco, precisamos de mais espaços, de mais divulgação e da presença ainda maior do público. Mas quem participa, está se envolvendo e muito. A rádio além da divulgação dos eventos antes e depois, procura ir aos shows e carregar seus ouvintes, para que o conheçam ao vivo as novas bandas e fortalecimento delas seja real.

Unmasked Brains - Rio de Janeiro, também na programação da rádio.

Gostaria de deixar uma mensagem final?
A mensagem final que a rádio Quality Music deixa é que não há espaço para radicalismo ou divisões num movimento que é pura paixão. Há espaço para todos e a Quality Music se dispõe a levá-los ao conhecimento de um público maior. Apoiar a cena metálica nacional é dar continuidade ao nosso movimento de forma intensa, gerar mais CDs, shows e assim, continuarmos a bater cabeça. Obrigado ao blog Rio de Metal pelo espaço e oportunidade dada a Quality Music Web Radio.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Resenha de vídeos - Elcio Pineschi, baterista do Unmasked Brains

Anuncio a primeira matéria colaborativa do Rio de Metal! Uma seleção de Elcio Pineschi - banda Unmasked Brains - de vídeos do Youtube mostrando os três bateristas que mais influenciaram seu estilo: Dave Lombardo, Tommy Aldridge e Deen Castronovo. Fiquei muito feliz com a parceria, apesar da dificuldade em obtê-la... Mas o resultado, pelo menos na minha opinião, foi de primeira. Confiram!




Ola á todos, eu me chamo Elcio Pineschi e toco bateria numa banda de Trash Metal chamada Unmasked Brains. Nós fizemos muito barulho nos anos 90, ficamos mais de dez anos parados e, no meio deste ano, decidimos voltar a tocar.



Um dos motivos pelo qual escrevo aqui é que a dona deste blog (por acaso é minha mulher), me pediu de maneira bastante enfática, que eu fizesse uma pequena resenha sobre três bateristas de metal da minha preferência, e incluísse um vídeo pra cada um deles. O outro motivo é que, para mim, se tratam de clássicos. E como a última palavra lá em casa é sempre minha, aí vamos nós...


O primeiro baterista da minha lista é o lendário Tommy Aldridge. Eu o vi tocando pela primeira vez no primeiro Rock in Rio de 85 com o Ozzy e fiquei de queixo caído. Foi ele quem despertou meu interesse em tocar com dois bumbos (no meu caso, pedal-duplo). Ele hoje tem mais de 60 anos e ainda me mata de inveja. O vídeo que escolhi é da música Journey to the Center of Eternity do Ozzy ao vivo em 1984, ao final da qual ele faz o solo que ainda faz até hoje em suas apresentações. Tommy – A lenda!


O segundo da lista é o selvagem Dave Lombardo, baterista do Slayer, que recebeu o título de “the godfather of double bass” e dispensa mais apresentações. Com o Lombardo eu descobri que existia uma coisa ainda mais legal que tocar com dois bumbos, que era tocar com dois bumbos rápido! Muito rápido! E ele não é rápido apenas com os pés. A velocidade e a ferocidade com as mãos também é fantástica. Como todo mundo já tá careca de conhecer Slayer, estou incluindo aqui um vídeo que resume o Lombardo em 32 segundos.



O terceiro da lista é o Deen Castronovo. Eu o conheci tocando no disco instrumental Dragon´s Kiss, que foi o primeiro do guitarrista Marty Friedman. Eu nunca tinha ouvido nada igual em toda minha vida. Quem curte musica virtuosa, e por acaso não conhece o disco, vale a pena dar uma conferida. Considero o Deen Castronovo um dos bateristas de rock mais criativos que já vi tocar. O vídeo que eu selecionei pra ele foi do solo que ele fez no seu vídeo aula há alguns ... muitos anos atrás.


Sumarizando, acredito que o ponto comum entre esses bateristas é o vigor, a velocidade e a precisão. Ter apenas duas dessas características não é tão difícil, mas ter as três juntas é que faz a diferença.

Só pra finalizar, eu gostaria de mencionar que existem muitos outros bateristas que eu admiro muito tanto no mundo do rock e do metal, como em outros estilos musicais, e por essa razão foi bem difícil escolher apenas três pra citar. Essa lista é bem pequena e bastante pessoal, mas espero que tenham gostado.

Um forte abraço a todos,
Elcio.





Gostou? Bom, o Elcio é o único cara a quem eu posso intimar... :-D Mas convido você a compartilhar também um pouco do seu trabalho musical! Envie seu material para sigried.nb+riodemetal@gmail.com.

Para conhecer um pouco mais do trabalho musical do Elcio, veja os vídeos:







Para conhecer mais sobre a banda Unmasked Brains, veja:
http://www.myspace.com/unmaskedbrains
http://www.reverbnation.com/unmaskedbrains
http://www.youtube.com/user/UnmaskedBrains
http://www.twitter.com/unmaskedbrains

Mande sua resenha, também! Conte sobre os músicos que influenciaram seu estilo e veja-a publicada aqui! sigried.nb+riodemetal@gmail.com.br. É claro que todos os links que desejar, relacionados a seu trabalho musical, serão colocados no post.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Getting it on: the clothing of Rock n' Roll - Resenha


Imagem da Amazon.com.
Considero este livro uma das pérolas que tenho guardadas em casa. Nele, a estilista e historiadora de moda Mablen Jones fala sobre moda e música de uma forma geral, passando pelo Pop, Psicodélico, New Wave, Punk... mas sempre com uma ênfase no Rock.
Um de seus capítulos, intitulado “Dionysus Electrified”, fala sobre a vestimenta do Heavy Metal e, pelo menos pra mim, tem imagens imperdíveis. Duas delas, compartilho aqui: uma do Gene Simmons e outra, uma criação de Fleur Thiemeyer para Ozzy Osbourne.
O livro retrata como os artistas e as bandas faziam para desenvolver seu visual, a relação das vestimentas e as sensações que queriam causar no público, e como elas passaram a serem desenvolvidas depois do estrelato. Conta, por exemplo, que Rob Halford do Judas Priest, primeiramente formulava sua indumentária com acessórios comprados em lojas com artigos de S&M. Mais tarde, o estilista Ray Brown passou a assinar suas roupas (que também desenhava para toda a banda).
Claro que o Kiss não poderia deixar de ser mencionado, assim como Twisted Sisters, Mötley Crüe, Alice Cooper e muitos outros, para quem o figurino de palco tem muita importância. Fala também de como o figurino dos palcos influenciou a moda de rua, e de diversos outros estilistas, como Larry Legaspi e Betsey Johnson.
Não sei se o Gene Simmons gosta de lembrar
dessa fase... Mas enfim, aí está o registro!
Criação de Fleur Thiemeyer para Ozzy Osbourne.
O livro foi publicado em 1987, e obviamente não documenta (mas se encaixariam muito bem num livro como esse) Nirvana, Guns n’ Roses, Metallica, Slipknot... Seus diferentes estilos musicais e a forma como as bandas materializam a mensagem a ser transmitida, a força desse visual e o reflexo disso no comportamento e vestuário dos “simples mortais” vão ter que ficar para um outro livro de moda e rock.

Sumário
Rock’s heroes and goddesses: a mythology
Fitting the costume to the music
The originators
Working-class heroes in Rock
The psychedelic era
Glitter and Glam Rock
Dionysus electrified: Heavy Metal Rock
Punk to New Wave Fashion
Disco to Syntho-Pop: a sound in search of an image
Art Rock
Fashion and Rock costume
Bibliography
Acknowledgements

Orelha
Você pode amar Rock n 'Roll. Você pode odiar Rock n' Roll. Mas você não pode escapar do Rock n' Roll.
O estilo de música tem durado em torno de cerca de quarenta anos - notável longevidade no mundo descartável do século XX. Mas a música não é tudo. Rock n' Roll é também uma imagem, um olhar. Rock n' Roll é a roupa. E as roupas de Rock n' Roll remontam um passado bem mais distante que 40 anos - como este livro provocativo revela, alguns milhares de anos mais.
O espetáculo dos últimos dias de Elvis Presley e James Brown vestindo no palco capas resplandecentes, os coloca em companhia de reis martirizados da mitologia antiga. O hardware de Heavy Metal do Kiss e Twisted Sister os fazem reveladores do culto secular de Dionísio. O brilho do glam rocker Elton John o liga ao reino místico de Bizâncio. O traje enganosamente ingênuo do "American Backstand" Dick Clark, por volta de 1950-1960, participa na paixão de Romeu e Julieta de Shakespeare (ele mesmo inspirado no romance de final grego de Píramo e Tisbe). A androginia de Little Rochard, David Bowie, Boy George e Michael Jackson está enraizada em alguns dos mitos de nossos primeiros antepassados ​​do Gênesis, que falam de um mundo povoado inteiramente por hermafroditas.
[...]
Getting it On reúne imagem e personalidade da história da música e mitologia, cultura popular e individual para revelar os segredos do poder social de Rock e seu apelo popular, que corre mais profundamente do que até mesmo os mais ardorosos fãs jamais imaginaram.
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