Edu Falaschi (Almah, Angra), no festival do Metal Nacional, fez um depoimento polêmico, pra dizer o mínimo, sobre a situação do Heavy Metal no Brasil. Falou da ausência de fãs nos shows nacionais, no círculo vicioso que faz decair a qualidade do trabalho dos músicos, etc. É verdade, não há muitos lugares onde se apresentar, e esses poucos nem sempre podem oferecer uma infraestrutura ideal para receber músicos e ouvintes. Os músicos ganham cada vez menos (quando ganham) e sobra pouco dinheiro para a compra de equipamentos e ensaios em estúdio. Diz ele que a culpa é dos fãs, que não frequentam esses lugares, não investindo no cenário local. E que não compra os CDs. Serão mesmo apenas os fãs, os culpados? Aliás, será que dá pra apontar o dedo na cara de alguém e dizer que essa ou aquela pessoa é culpada pelo atual estado do cenário underground?
Quem gosta de som pesado tende a ser um pouco mais exigente que a média, e não necessariamente dispõe de dinheiro pra sair todo fim-de-semana. Quando pode, economiza uma grana para ver um show de maior estrutura, e aí fica um tempo sem ver os shows menores. Fora isso, não é um público muito grande. Pense: a não ser que você esteja diretamente envolvido com o meio, a maioria das pessoas em sua volta gosta de outros gêneros musicais, como o pop, a MPB, o rock, o samba, o axé... Poucos curtem metal e menos ainda o jazz, o clássico...
Por que temos que gostar de um tipo de música que não se manifesta em cada esquina, através de batucadas e melodias simples, de um pouco de descolorante no cabelo, pandeiro e cerveja na mão? Não, temos que ouvir guitarra, baixo e bateria a 180 BPM, bem alto e preferencialmente bem tocado, num lugar que preserve a integridade de toda a parafernália envolvida. O resultado é um programa cultural qeu atinge poucas pessoas. Difícil concorrer, né? E como já mencionei, não é "privilégio" do metal. É uma dificuldade que várias vertentes musicais têm para atingir as massas.
Dia desses, esbarrei com o anúncio desse programa no blog de um Instituto chamado Cidade Viva (http://www.institutocidadeviva.org.br). Inevitável pensar sobre o cenário Underground e seus percalços, caminho difícil a ser trilhado.
Me inscrevi no curso gratuito e estou gostando.
Óbvio que um programa de cursos por si só não resolve o problema de um cenário que não consegue se firmar e alcançar um público fiel. Mas quem sabe pode dar algumas dicas de como fazer vender o som que gostamos de ouvir e produzir. São oferecidos diversos cursos; como já disse, um é deles gratuito. Também são oferecidos: um fórum de discussão e um ambiente wiki, onde se pode criar páginas sobre manifestações culturais diversas. Dica: ainda não tem os verbetes Heavy Metal e Underground...
Vale a pena a visita.
http://produzirparavaler.com
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