terça-feira, 4 de outubro de 2011

Impedindo que seus vizinhos escutem a bateria


Quem toca bateria tem um sério problema na hora de praticar em casa: perturbar os vizinhos. É muito fácil isso acontecer, então muitas vezes o músico acaba apenas ensaiando em estúdio e deixando os exercícios diários de lado, pois não quer ouvir o interfone tocar depois de apenas 5 minutos empunhando as baquetas.
Quem toca guitarra, baixo, teclado ou outro instrumento eletrônico não encara esses problemas, pois pode escutar o som no fone ou regular o volume de forma a não perturbar. Mas quem toca bateria ou outro instrumento acústico, bom... Aí a coisa muda de figura.
Uma solução ideal seria montar um estúdio em casa, mas nem sempre temos um cômodo disponível ou o dinheiro no bolso (se tiver, me chame para fazer seu projeto! Kkkk!). Essa alternativa, portanto, não serve para a maioria.
Alternativamente, pode-se comprar uma bateria eletrônica. Algumas são bem fiéis ao som de uma bateria verdadeira, mas essas costumam ser bem caras. A vantagem é que demandam menos isolamento, além de oferecer algumas vantagens como tornar mais fácil gravar em casa, ocupar menos espaço, etc.
Outra opção é o módulo de treino. Não é tão divertido quanto uma bateria completa, mas é ótimo para evitar conflitos com os vizinhos a um custo menor. Fora isso, os módulos tem exercícios programados, alternando, por exemplo, diferentes andamentos do metrônomo.
Com custo mais reduzido ainda, há os praticáveis emborrachados que, junto com o metrônomo, formam um kit básico e essencial para melhorar o desempenho.
É, o equipamento eletrônico ajuda, mas no caso da bateria, o problema não é eliminado. Mesmo sendo uma das alternativas menos barulhentas, há um tipo de ruído que é uma praga, difícil de tratar, e atende pelo nome de ruído de impacto. Ele é gerado principalmente pelo bumbo, pois é a peça mais próxima do chão e que recebe a batida do pedal, a mais forte de todas.

O ruído de impacto percorre todas as estruturas adjacentes. Difícil atenuar!
Imagem montada a partir de outras encontradas em: greengluecompany.com e pro-music-news.com

Essa desgraça sonora percorre as estruturas do prédio, atingindo não só seu vizinho de baixo, mas o do lado, o de cima e quiçá o seu síndico, que mora no penúltimo andar, enquanto você mora no terceiro.
Não adianta colar caixa de ovo nas paredes, ou simplesmente colocar borracha ou carpete no chão. Esse ruído precisa de tratamento especial.
E esse tratamento é dado por um conjunto de camadas, cada uma com sua função.
O ruído de impacto é transmitido pelo contato entre os elementos. Isso quer dizer que quando seu pé pressiona o pedal, ele transmite energia mecânica para o chão e para o bumbo. Parte dessa energia mecânica se transforma em energia sonora (pra você, som; pro seu vizinho, ruído aéreo), outra parte em energia térmica, e outra parte vai entrar no seu chão, na sua laje, nos pilares e vai fazê-los vibrar, transformando-se em energia sonora (ruído) mais adiante. Em todos os andares.
Mas como evitar o ruído de impacto? O ideal seria que a bateria flutuasse no ar. Como isso é um privilégio exclusivo do Joey Jordison (Slipknot, Murderdolls - quem assistiu ao último Rock in Rio sabe do que eu estou falando), aos simples mortais resta a criatividade.
Pois bem, todo e qualquer material tem lá suas propriedades acústicas: uns refletem os sons, outros absorvem. Esses que absorvem, dependendo de como são seus poros, absorvem faixas de frequência diferentes: mais graves, mais agudas. Usando camadas de diferentes materiais, dá pra cumprir as diferentes funções, exigidas pra esse isolamento em questão.
A primeira necessidade é diminuir o contato do instrumento com o chão. Aqui em casa, improvisamos com aquele piso de banheiro de academia. Só que ele desliza, então precisava de mais uma camada embaixo. Optamos por uma borracha, que além de segurar, funciona como uma mola, diminuindo ainda mais a transmissão  do impacto.

Aí, as três camadas! Uma borracha grossa, o "piso de banheiro" e o carpete sintético.
O custo foi bem reduzido e o resultado, ótimo!

E por cima, mais uma camada com dupla função: o capacho sintético segura bem o pedal e o bumbo, além de absorver parte do espectro sonoro.
Deve-se tomar o cuidado de não deixar o equipamento encostar na parede, pois aí o ruído de impacto será transmitido para ela e adeus isolamento.
Agora, o ruído de impacto foi praticamente eliminado; só se escuta o ruído aéreo até a nossa sala. Já dá pra treinar todo dia!

Aqui, uma geral do conjunto. Só lembrando, a borracha também não encosta na parede.
Quanto menos pontos de contato, melhor!

7 comentários:

  1. Aonde você comprou esses materiais? principalmente esse piso flexível de pvc

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    1. Oi, Francisco! Aqui no Rio tem muitas lojas com esses materiais plásticos. Um exemplo é a Casa da Borracha.

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  2. Olá. Eu estou pesquisando muito sobre como resolver o problema do ruído de impacto no bumbo da minha batera eletrônica Roland td11kv, e percebo que a maioria das pessoas fazem aqueles tablados com bolas de tenis no meio. Achei a sua solução bem mais fácil, elegante e barata, mas não tenho certeza se é mais eficaz. Gostaria de uma solução definitiva, então penso em fazer o seu projeto, ai caso não dê certo vou adequa-lo ao tablado com as bolas de tenis (borracha/tapete/tablado com bolas de tenes/tapete. Será que cabe?? O seu projeto funcionou para ti? Obrigado pelas dicas!

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    1. Felipe, vc tem problema com barulho no vizinho de baixo? Estou precisando fazer um isolamento também, mas acho que o projeto com as bolas de tênis deve funcionar melhor.

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    2. Olá Felipe e Diego!
      Essa solução, dependendo da intensidade com que vocês tocam a bateria, pode não ser totalmente eficaz. Notem também que ele é pra reduzir o ruído de impacto de uma bateria eletrônica, ou seja, aquele som de "pec-pec-pec" residual.
      O grande problema é a peça do bumbo, cujo impacto é mais forte e vai direto pra laje do chão. Qualquer solução acústica para ruído de impacto, seja profissional ou amadora, vai procurar sempre diminuir ao máximo o contato de qualquer superfície com a fonte de ruído; esse é o princípio básico.
      O projeto das bolas de tênis diminui mais o contato que esse aí, portanto funciona melhor. A questão é que as peças da bateria eletrônica já têm um impacto menor que da acústica, portanto, aqui pra casa, esse projeto foi suficientemente bom.
      Uma bateria acústica iria requerer tratamento de ruído aéreo também, portanto este projeto não se aplica.

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  3. Sigried Buchweitz, sabe dizer se o ruído no andar de baixo foi totalmente isolado? Dá pra trocar bateria a noite?
    Obrigado.

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    1. Oi, Diego! Não totalmente, mas uma TV ligada no andar debaixo já disfarça bem. Os ruídos do entorno ajudam a mascarar.

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